De Junho a Setembro 2019
Sobre o TPS 2019

Celebrando a comemoração dos 130 anos da publicação d’Os Maias, a ÉTER – Produções Culturais, propõe-se realizar em conjunto com a CMS e a Fundação CulturSintra, o programa TPS – 2019, CICLO DE TEATRO E PATRIMÓNIO EM SINTRA – Teatro e Instalações Multimédia a realizar em diversos monumentos do Património Cultural sintrense, enaltecendo o seu carácter simultaneamente histórico e cultural – histórico, enquanto síntese do passado da comunidade sintrense; cultural, enquanto elemento vivo e ativo da participação cívica dos sintrenses.

TPS 2019 propõe apresentar 4 espetáculos entre Junho e Setembro de 2019, em 4 locais histórico/patrimoniais Sintrenses (Quinta Mont Fleuri, Casa do Eléctrico de Sintra, Quinta da Ribafria e Palácio Nacional de Sintra).

Abordando a obra Os Maias, de Eça de Queirós, as adaptações possuem produção da equipa da Éter – Produções Culturais, contando com textos de Miguel Real, encenações de Filomena Oliveira e arte performativa e multimédia, ligadas a tecnologias contemporâneas, de David Martins.

Eça de Queirós e Sintra, por Miguel Real

A literatura tem destas coisas, mil ensaios explicativos não se aproximam da capacidade descritiva, sensível, imagética, de fixar o retrato romântico de Sintra como Eça de Queirós o fez em Os Maias: as queijadas, os hotéis de veraneio, as quintas e os solares de Verão, o “barquejar” na várzea de Colares, as burricadas, as tertúlias artísticas, as “espanholitas”, um trago de Colares, o desenfado de Lisboa, tudo envolvido, ora suavemente, ora excessivamente, pela copiosa vegetação da serra, que provocava o encanto do olhar e a disposição amorosa do coração.

A Regeneração (1851) e a tímida industrialização de Portugal tinham criado uma nova elite monárquica e burguesa, tocada pelos fumos de riqueza ascendente, que seguia a moda romântica europeia de procurar refúgio estival em lugares históricos. Sintra, alimentada pela nova estrada de Belas (a “diligência”) e pela via-férrea desde 1873 (o “Larmanjat”), tornou-se o destino poético especial dos lisboetas.

À aventura da viagem, acrescia a visão encantada do Palácio da Pena, onde habitavam ou tinham habitado, num certo isolamento real, o último casal romântico da Europa: D. Fernando II (falecido em 1885) e a Condessa d’Edla, a plebeia cantora de ópera por quem o antigo marido de D. Maria II se apaixonara. Para os caixeiros do comércio, os funcionários públicos, os mangas d’alpaca dos serviços, as sopeiras dos prédios finos da Av. da Liberdade e os magalas que lhes faziam a corte, as “Luísas” de Arroios (O Primo Basílio), os intelectuais provincianos ao modo de “Artur Corvelo” (A Capital!), os parlapatões tipo Dâmaso Salcede (Os Maias), os poderosos do Poder como Cohen, as amantes histéricas como as Gouvarinho, os poetastros ultra-românticos como Tomás de Alencar, até para o burguês sensato Carlos Eduardo da Maia, Sintra constituía o máximo de beleza natural, adornada por um toque de história milenar através do Palácio Real das duas chaminés e da opulência (então) modernista do Palácio de Seteais. Para o burguês lisboeta oitocentista, ir a Sintra, maravilhando o olhar em quintas de paisagens bucólicas e veredas agrestes, era como se comungasse da história de Portugal. E no cume, entre névoas esvoaçantes, sugando o olhar dos “alfacinhas”, despertando a saudade das coisas simples e eternas, sobressaíam penedos do princípio do mundo, os muros irreais da Quinta da Penha Verde de D. João de Castro, as ruínas do Castelo dos Mouros e o novíssimo e colorido Palácio da Pena (Pena de “penha”).

No século XIX, muitos autores escreveram sobre Sintra, mas só Eça, ao longo de toda a sua obra, d’O Crime do Padre Amaro, primeiro romance, ao último, A Ilustre Casa de Ramires, mas sobretudo n’Os Maias, compôs a mais perfeita representação romântica da vila e da serra: o Arco da Quinta do Ramalhão, o Hotel Victor (de Victor Sassetti), o Lawrence’s Hotel, onde se hospeda Maria Eduarda, o Hotel Nunes, abrigo de Carlos da Maia, local de “pândegas” com “espanholas” do Dâmaso (“Chique a valer!”), do grosseiro jornalista de pasquins Palma Cavalão e do enfezado Eusebiozinho, do Convento dos Capuchos (onde, perto, se situava a Quinta de Saragoça, para repouso estival de Fradique Mendes), os jardins e o Palácio de Monserrate, a água da Fonte dos Amores, a “manteiga fresca” saloia, que, sobre todas as coisas, apetece ao mastro Cruges, os encontros idílicos (o triângulo Ega, Dâmaso e Raquel Cohen) sob as ramagens sombreantes, destinadas a esconder os amantes, o ar aveludado do pólen faiscado por “flechas de sol” e, como uma âncora natural da história, o Penedo da Saudade.

Para um lisboeta, a descrição de Eça tendia a definir Sintra como lugar de lazer, não um locus amoenus renascentista, bucólico e pastoril, não de um lazer de fim-de-semana como o dos piqueniques nas hortas em torno da capital, um lugar sentimentalmente popular, de canções e guitarradas, de descanso do trabalho, mas como um lugar propício ao despertar de emoções de beleza e de bem-estar e à inspiração do amor, próprio da alta burguesia endinheirada e da aristocracia. Daí a imagem queirosiana de Sintra, não um lugar de sereno equilíbrio racional, mas um lugar romântico, de vivência sentimental e, até, carnal.

Hoje, que o lisboeta expulsou o romantismo do seu coração, a imagem queirosiana de Sintra tem vindo a ser substituída pela imagem esotérica e insólita de uma Sintra ocultista, centrada na Quinta da Regaleira, no poço esotérico, na cripta templária, na gruta de Leda, no Patamar dos Deuses, nos tritões da serra… É uma Sintra nova, que, paradoxalmente, no século da mais alta tecnologia, atrai manadas de turistas ávidos do exotismo dos mistérios alquímicos.

Miguel Real

O CHALET DA CONDESSA
O último grande amor romântico

de Filomena Oliveira e Miguel Real 

 MULTIMÉDIA  E TEATRO 
PARQUE DA PENA – CHALET DA CONDESSA  D’EDLA

13, 14, 15 de Setembro | 16H00 

Reservas:book@virtualeter.com
A entrada para o espectáculo é livre
para os portadores do bilhete de entrada
para o Parque da Pena 

Texto: Filomena Oliveira e Miguel Real | Encenação: Filomena Oliveira | Orgânica Sonora e Multimédia: David Martins |
Elenco: Cláudia Faria, Pedro Oliveira, Rita Fernandes, Rogério Jacques e Sérgio Moura Afonso | Operação de Som e Luz: David Martins | Multimédia: José Ricardo | Grafismo: Vera Antunes | Estruturas: Vitor Fernandez Produção Executiva: Maria Barracosa  
Co-Produção: ÉTER – Produção Cultural e  Parques de Sintra – Monte da Lua

A Condessa d’Edla e D. Fernando II recebem, no Chalet do Parque da Pena, Eça de Queirós, Carlos da Maia e Maria Eduarda.

Eça de Queirós prepara um novo romance sobre o último grande amor romântico, protagonizado por D. Fernando II e a Condessa d’Edla, solicitando-lhes o relato dos principais episódios da sua intensa e atribulada relação amorosa.

SERÃO NOS GOUVARINHO
Os Maias

de Filomena Oliveira e Miguel Real

MULTIMÉDIA E TEATRO
QUINTA DA RIBAFRIA

19, 20, 21 SETEMBRO | 21H

Texto: Filomena Oliveira e Miguel Real | Encenação: Filomena Oliveira | Orgânica Sonora e Multimédia: David Martins | Elenco: Cláudia Faria, Paulo Cintrão, Pedro Oliveira, Rita Fernandes, Sérgio Moura Afonso | Operação de Som e Luz: David Martins | Grafismo: Vera Antunes | Estruturas: Vitor Fernandez | Produção Executiva: Maria Barracosa | Co-Produção: ÉTER – Produção Cultural e Câmara Municipal de Sintra | Promotor: Fundação Cultursintra FP

Carlos da Maia e o maestro Cruges vão a Sintra, na esperança de encontrar Maria Eduarda.  Passeiam entre o Hotel Nunes, a Lawrence e a estrada de Seteais, onde se cruzam com Tomaz de Alencar.

No Serão dos Gouvarinho, Carlos da Maia, João da Ega, Dâmaso Salcede e a Condessa de Gouvarinho conversam e discutem, entre encontros e desencontros amorosos e combinações secretas.

BAILE DE MÁSCARAS
Os Maias

de Filomena Oliveira e Miguel Real

MULTIMÉDIA E TEATRO
PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA (ARCADAS)

27, 28, 29 DE SETEMBRO | 22H

Texto: Filomena Oliveira e Miguel Real | Encenação: Filomena Oliveira | Orgânica Sonora e Multimédia: David Martins | Elenco: Cláudia Faria, Maria Barracosa, Paulo Cintrão, Pedro Oliveira, Sérgio Moura Afonso | Participação Especial: Danças com História| Operação de Som e Luz: David Martins | Grafismo: Vera Antunes | Estruturas: Vitor Fernandez | Produção Executiva: Maria Barracosa | Co-Produção: ÉTER – Produção Cultural e Câmara Municipal de Sintra | Promotor: Fundação Cultursintra FP

O ambiente é de festa. O público passeia-se pelo espaço, há música, sons e vozes das personagens, imagens de cenas e personagens de Os Maias. O público experimenta máscaras de Carnaval, senta-se à mesa, saboreia queijadas, prova um Colares, integrando-se na própria cena. Entram as personagens, João da Ega, Raquel Cohen, Dâmaso Salcede, Condessa de Gouvarinho. Decorre o baile, Ega dança com Raquel Cohen, entre abraços e beijos fortuitos, surge o marido Cohen expulsando Ega com violência.  Ega, revoltado e envergonhado, junta-se a Carlos para que este o aconselhe.

OS MAIAS

de Eça de Queirós

TEATRO E JANTAR QUEIROSIANO
QUINTA MONT FLEURI

06, 07, 14, 21 JULHO | 19H30 (Abertura da Quinta)

Texto: Eça de Queirós | Adaptação Dramaturgica: Filomena Oliveira e Miguel Real | Encenação: Filomena Oliveira | Orgânica Sonora e Multimédia: David Martins | Voz: Ilesa da Costa Martins | Elenco: Cláudia Faria, Paulo Cintrão, Pedro Oliveira, Rita Fernandes, Sérgio Moura Afonso | Participação Especial: João D’Ávila | Em filme: João Frazão, Maria Barracosa, Miguel Real, Paulo Campos dos Reis, Pedro Mendes, Ricardo Soares, Rogério Jacques, Tito Ribeiro | Operação de Som e Luz: David Martins | Operação de Video: José Ricardo | Grafismo: Vera Antunes | Estruturas: Vitor Fernandez | Produção Executiva: Maria Barracosa | Co-Produção: ÉTER – Produção Cultural e Câmara Municipal de Sintra | Promotor: Fundação Cultursintra FP

Os amores incestuosos de Carlos da Maia e Maria Eduarda decorrem numa Lisboa repleta de personagens realistas, envolvendo os protagonistas e o seu destino trágico.

A presente versão dramatúrgica consiste na condensação dramática dos principais momentos, conflitos, personagens e acontecimentos da obra Os Maias, de Eça de Queirós, captando a essência estruturante da obra literária, traduzida para a linguagem dramática e cénica num espetáculo que harmoniza os atores em palco, o filme e a música.

Em cena estarão as personagens João da Ega, Carlos da Maia, Maria Eduarda, Dâmaso Salcede, Condessa de Gouvarinho, Cruges; em filme, Afonso da Maia, Pedro da Maia, Raquel Cohen, Jacob Cohen, Craft, Eusebiozinho, Palma Cavalão, Castro Gomes e Tomás de Alencar.

Espectáculo - 21h30
Jantar Queirosiano - 20h (Menu - clique)

Jantar Queirosiano (20h) 
Entradas: Presunto com ervilhas (Petits pois à la Cohen), Tomates recheados à la Cohen, Pastéis vários, Azeitonas 
Sopa: Consomé Julienne (sopa juliana)
Prato: Bacalhau à Alencar (um bacalhau no forno com broa e grelos)
Sobremesas: Arroz doce, Ananás
Bebidas: Água, Vinho, Café

1904 – INAUGURAÇÃO DO ELÉCTRICO

de Filomena Oliveira e Miguel Real

TEATRO E BEBERETE QUEIROSIANO
VILA ALDA – CASA DO ELÉCTRICO DE SINTRA

08, 09, 15, 16, 22, 23 JUNHO | SÁBADO 22H – DOMINGO 17H

Textos: Filomena Oliveira e Miguel Real Encenação: Filomena Oliveira | Orgânica Sonora e Multimédia: David Martins | Elenco: Cláudia Faria, João Mais, Miguel Simões, Rogério Jacques, Sérgio Moura Afonso | Operação de Som e Luz: Pedro Florentino | Grafismo: Vera Antunes | Produção Executiva: Maria Barracosa | Co-Produção: ÉTER – Produção Cultural e Câmara Municipal de Sintra | Promotor: Fundação Cultursintra FP

Estamos no Verão de 1904. A viagem inaugural do eléctrico entre Sintra e a Praia das Maçãs junta dois convidados ilustres vindos de Lisboa, Bulhão Pato, escritor romântico, Eça de Queirós, escritor realista. Recebe-os Alfredo Keil, músico e compositor conceituado e proprietário de uma das primeiras casas da Praia das Maçãs.
Bulhão Pato fora caricaturado por Eça de Queirós em Os Maias na personagem “Tomás de Alencar” e vem a Sintra confrontar Eça. Entre ambos, surge Alfredo Keil, músico e compositor de ópera, tentando apaziguar os ânimos.
O conflito atinge um ponto de ruptura com Bulhão Pato a tirar duas pistolas, a dar uma a Eça e a desafiar este para um duelo. O duelo acaba desajeitadamente com a intervenção de um casal de saloios que se coloca involuntariamente na linha de fogo.
Um casal de saloios sintrenses, com os seus espantos, a sua vida rural e os seus costumes simples e ingénuos, surge entre o par de escritores.