Banner-Vieira-O Céu na Terra-1200x350

Vieira – O Céu na Terra

De Filomena Oliveira e Miguel Real

O Projecto

Este projeto dá continuidade à relação criada com Guiné Bissau em 2013 com o apoio da DGartes de Portugal e da AD da Guiné-Bissau.

“Vieira – O Céu na Terra” é um projeto que valoriza a relação artística e humana intercultural e o papel da arte no desenvolvimento cultural e social de comunidades com identidades específicas, contribuindo para a consciência histórica comum aos três países, consolidando novas parcerias com países lusófonos, neste caso, Guiné-Bissau e Brasil.

“Vieira – O Céu na Terra” aprofunda e desenvolve parcerias anteriores e cria novas relações internacionais. Numa adaptação que contempla as realidades portuguesa, africana e brasileira, o espetáculo será apresentado na Guiné-Bissau e em Belém do Pará, relacionando artistas e instituições dos 3 países, contribuindo para a sua Cultura, Educação e Desenvolvimento. O espetáculo reunirá atores e músicos portugueses, guineenses e brasileiros e contará com a participação de estudantes de teatro da Universidade Federal de Belém do Pará. Nas diferentes cenas, as personagens, a música e as imagens revelam momentos da vida de Pe. António Vieira, não só como um dos maiores oradores de todos os tempos, mas também político ousado, diplomata e missionário, defensor da humanização dos escravos negros, dos cristãos-novos ameaçados pela Inquisição e dos indígenas do Brasil. O espetáculo integra cenas passadas em Belém do Pará e em Cacheu (porto africano de transporte de escravos para o Brasil).

HISTÓRIA DO PROJETO

Vieira – O Céu na Terra, de Filomena Oliveira e Miguel Real e música de David Martins, teve a sua 1ª versão apresentada no Verão de 2008 pelo Teatro Nacional D. Maria II nas ruínas do Convento do Carmo em Lisboa. Uma nova versão apresenta-se no Museu Nacional do Teatro desde Janeiro de 2009, recebendo escolas do ensino secundário a nível nacional e público em geral. O referido texto tem sido alvo de várias colaborações, de onde se destacam a parceria com o CLEPUL – Faculdade de Letras de Lisboa, no lançamento da obra completa de Pe António Vieira na Aula Magna da Cidade Universitária de Lisboa, em 2013.

Cacheu03

Sinopse da peça de teatro

Vieira – O Céu na Terra” trata os momentos mais importantes da vida do Padre António Vieira, o mais famoso orador religioso português, nascido em Lisboa, em 1608, e falecido em 1697, em São Salvador da Bahia, para onde partira aos seis anos com a família. Em Lisboa, na corte de D. João IV, no Brasil entre os colonos ou entre os índios do sertão, revela-se o homem de plurais actividades – missionário, diplomata, político, orador, profeta, escritor, “Vieira – O Céu na Terra” evidencia a actividade profética de Padre António Vieira de um futuro de união de todos os povos num reino cristão de justiça, amor e abundância; a actividade de pregador, como o mais insigne orador português, bem como o seu afã de justiça social, corroborado na denúncia contra o tratamento dos escravos, tratados como animais de carga, exigindo dos donos das canavieiras de açúcar um tratamento humano para os negros; na denúncia contra a exploração e escravização dos índios do Brasil promovida abundantemente pelos colonos brancos, e a sua defesa do judeu e cristão-novo. Esta última actividade tornou-o suspeito da Inquisição, tendo sido preso e condenado por este Tribunal.

“Vieira – O Céu na Terra” apresenta, na sua construção cénica, os ambientes brasileiros, lisboetas e africanos do século XVII.  Neste sentido, integram o elenco uma personagem negra, Nestor, representante dos escravos dos engenhos do Recôncavo bahiano, em cujas capelas Pe. António Vieira invectivou os poderosos senhores do açúcar, exigindo um tratamento humano para os escravos, e uma personagem índia,Tupi, representante das tribos tupi, habitantes nativos do Maranhão e Grão-Pará, salvos da escravização e extinção devido ao empenho missionário de Pe. António Vieira e outros jesuítas. O espetáculo assume diferenças em cada país de apresentação:em Belém do Pará integra um grupo de atores de Belém;  na Guiné-Bissau conta com a participação de atores/cantores guineenses. Para ambos os casos foram criadas cenas específicas.

Caheu 01

Instalação Multimédia

A instalação “O SAL DA TERRA” integra o projeto “Vieira – o Céu na Terra”, baseando-se no romance histórico de Miguel Real que é também a base do texto teatral: a vida aventurosa de P. António Vieira (séc. XVII) – um dos maiores oradores de todos os tempos, diplomata, político, missionário – e a sua luta pela humanização dos escravos negros e pela libertação dos índios da Amazónia da escravização.

A instalação proporciona ao público interagir com sons e imagens de tribos guineenses e de índios da Amazónia, bem como elementos da natureza dos 2 países. A relação entre instrumentos musicais e padrões utilizados em artesanato constituem materiais estéticos desta instalação que recorre a tecnologias de sensores como Kinect e I Cube X, que transformam movimentos e ações de indivíduos em linguagem midi capaz de influenciar imagens ou sons em tempo real.

A Instalação “O SAL DA TERRA” apresenta-se em Novembro de 2014 no Festival Quilombola de Cacheu (porto africano de transporte de escravos para o Brasil) dando a conhecer elementos da cultura dos índios tupis da Amazónia, contribuindo para o diálogo de culturas através da utilização de novas tecnologias.

A Instalação “O SAL DA TERRA” apresenta-se em Belém do Pará, em Março de 2015, renovada e enriquecida com música e imagens da cultura guineense presentes no Festival Quilombola, Cacheu 2014. Regressa a Bissau em Maio de 2015 (com o espetáculo “Vieira – O Céu na Terra”), agora integrando novas músicas e imagens recolhidas na Amazónia.

Conferência

Padre António Vieira é, em Portugal, um dos autores pioneiros do multiculturalismo. Na sua vida e obra, Padre António Vieira defendeu as duas minorias étnicas prevalecentes no Brasil do século XVII –os escravos negros e os indígenas. Toda a sua defesa dos povos negros e índios residiu numa política de inclusão social pela qual, segundo uma perspectiva cristã, estas minorias deveriam ser elevadas a um patamar superior de civilização, obviamente identificada com a europeia. No entanto, ainda que fundamentada numa visão eminentemente cristã e europeia, a perspectiva multiculturalista de Padre António Vieira consolida-se a partir da reprovação feita em diversos dos seus sermões relativo ao tratamento cruel infligido pelos senhores de engenho contra os trabalhadores negros. Padre António Vieira admoesta a elite branca por manter os negros em regime de trabalho intensivo, desumano e atroz nas plantações de açúcar, a que chama “inferno doce”, exigindo o respeito cristão e um tratamento humano para os negros. Nunca pede a abolição da escravatura, mas, dentro deste regime, exige dos governadores do Brasil e dos senhores brancos um olhar humano e cristão que progressivamente vá socialmente integrando o trabalhador.

No que refere aos índios, Padre António Vieira, no seguimentos dos seus antecessores jesuítas, respeita os dialectos da língua tupi, aprendendo-os, de modo a efectuar a catequização nesta língua. Face aos colonos brancos, que intentavam destruir os povoados índios e condenar os seus habitantes à escravatura, Padre António Vieira, no Pará e Maranhão, defendeu a criação de missões onde, através de educação cristã, os índios eram integrados numa nova sociedade. Se devido à sua luta Padre António Vieira foi expulso pelos seus congéneres brancos, sem ela os índios teriam sido todos escravizados.

Cacheu 02

Equipa técnica e artística

Texto de Filomena Oliveira e Miguel Real

Encenação, Filomena Oliveira

Música Original e Orgânica Sonora , David Martins

 Voz, Ilesa Martins e Andreia João

Vídeo de Cena, André Kowalski

Atores: António Mortágua, Cláudia Faria, Jorge Quintino Biague, Filipe Araújo, Paulo Campos dos Reis , Willian Pereira

Operação Técnica: David Martins e José Ricardo

Conferências ‘Sobre a vida e obra de Padre António Vieira’ , Miguel Real

Performance Literária, David Martins, Jorge Quintino Biague

Documentário do making of , Barnabé Freixo – Coiximedia

Design, Filipa Vieira

Produção, Cláudia Faria e Magda Pinto Bull